 |
Entrevista
realizada no Workshop: - Hip Street International School”.
Dias
10 e 11 de março de 2001.
Na Academia RIO BRANCO , em Campinas/SP
Idealizado e organizado por Benê Black & Kico Brownn
(http://www.hipstreethop.hpg.com.br
)
Docente: GUS BEMBERY
- GUIU - BENÊ BLACK – KICO BROWNN.
|
GUS
BEMBERY - 32 anos, nasceu em Boston/Massachusetts. Viajou durante
4 dias de carro p/ Los Angeles – onde vive a 7 anos e meio - para
investir e seguir sua carreira no mundo da dança, tornando-se um
especialista em Hip Hop. Atualmente é instrutor dos principais estúdios
de Los Angeles, presença em vários programas de TV e ministra regularmente
cursos pelos USA e Europa.
- -Entrevista- -
MC – É possível
viver de Hip Hop nos Estados Unidos?
GB – Depende. Hip Hop é a dança mais popular nos EUA.
Quem quiser viver de Hip Hop precisa ir para Los Angeles, porque
é lá que acontecem as coisas. Pode-se ganhar dinheiro de muitas
formas através do Hip Hop. Mas, é preciso ser muito bom, porque
a concorrência é grande. E só quem é bom se estabelece. Existem
muitos bons dançarinos, porém os coreógrafos que se destacam são
poucos.
MC – Existem divisões, por
lá? Tipo: isso é hip hop. Aquilo não é hip hop?
GB – Somente os B.boys, os Freestyles, os breakdancers
fazem essa divisão, essa discriminação. Eles se auto-denominam a
raiz, a essência. Nós que trabalhamos e vivemos disso, gostamos,
admiramos e ñ temos nenhum preconceito, tudo é hip hop.
MC – Em quem vc se inspirou
pra dançar?
GB – Janet Jackson
MC – E no Michael Jackson?
GB – Ñ, somente Janet Jackson.
MC – Como você vê o Brasil
no hip hop?
GB – No Brasil existe talento,
estão no caminho certo. Porém é necessário que se tenham acesso
direto à fonte de informações que é Los Angeles. Por isso é importante
ter um contato, fazer como o Benê fez, trazendo sempre que possível
um profissional, ou indo até lá.
MC – Existe algum brasileiro(a)
que você conhece o trabalho, em Los Angeles?
GB – Sim. Chama-se: Rebeca Salomão,
de São Paulo. Foi pra lá sem falar nada em inglês, fez testes e
mais testes, audições e mais audições. Hoje é uma das dançarinas
bem sucedidas na difícil concorrência que existe por lá. Trabalhou
com o falecido Rapper Notorious Big. É dançarina do famoso cantor
de R & B Brian Mcknight, e outros que eu não lembro agora.
MC – Em aspectos gerais,
qual a imagem, qual a divulgação que chega do Brasil até você?
GB – Primeiro lugar Carnaval.
Samba. Rio de Janeiro. Amazônia. Um povo bonito e sensual.
MC – E sobre a Bahia? São
Paulo e outras cidades, não?
GB – Não. Somente Rio. Comerciais
de TV quando falam de Brasil, mostram o Rio de Janeiro, Cristo Redentor
e as praias.
MC – Quem foi seu mestre?
GB – Minha primeira e única
professora foi René King, tem mais de 40 anos, não ministra mais
aulas.
MC
– Se algum brasileiro fosse pra Los Angeles, quem você indicaria
- além de você é claro – pra fazer aulas?
GB – Dante. Quando quero fazer
aulas. Quando posso, faço com ele , só com ele.
MC – Existe algum festival
de expressão nacional, competitivo?
GB – Um que acontece em San
Diego, ñ sei exatamente o nome completo. É realizado pelo Grupo
Culture Shock. É muito bem falado. Inclusive o Grupo.
MC
– Comparando o Brasil com a Europa. Qual o comparativo
que você faz?
GB – A Europa tem acesso mais
fácil e rápido as novas informações de música e dança, que são levadas
regularmente por vários profissionais que atuam em Los Angeles.
A Itália e a Suíça evoluíram muito no hip hop. É o que falta no
Brasil.
MC – Existem muitos nomes
de aulas. Tipo aulas de Street Dance. Funk e outros?
GB – Tudo é hip hop, mais existem
alguns estúdios de dança que colocam nomes diferentes para comercializar
e atrair público.
MC – Existe rivalidade de
Nova York e Los Angeles?
GB
– Não. Nova York é forte mais na área de ballet e jazz. Los Angeles
é hip hop.
MC – Você viu em fita de
vídeo o DRB, apresentando Ballet-Negro, num palco aberto, numa TV
na casa do Benê. O que achou?
GB – Muito bom. Ótimo. Desenhos
especiais. Construção de formas. Várias movimentações ao mesmo tempo
e um número grande de pessoas no palco. É difícil de coreografar.
Visual bonito. Rápido. Gostei muito.
MC – Sua mensagem para os
brasileiros que gostam de dançar:
GB – A coisa mais importante
é fazer o que você ama. Siga o seu coração.
AGRADECIMENTOS: O Grupo DANÇA DE RUA DO BRASIL, agradece
Benê Black e Kico Brownn, do Grupo de Dança HIP STREET HOP, sem
eles jamais seria possível a realização desta entrevista. Em breve,
juntamente com o Grupo HIP STREET HOP, estaremos entrevistando grandes
nomes do hip hop mundial, como: Tony Stone, Dante, Rebeca Salomão,
Corey, Hassan, Madonna Grimes e outros... Aguardem!!!