Saiba quem foi Marcelo Cirino, antes do Dança de Rua

Nasceu em Santos;
Morou no Morro da Penha na Zona Noroeste de Santos/SP;
Entrou com 6 anos de idade para a Pré-Escola Municipal Parque Maria Patrícia;
Estudou a 1ª série na E.M.P.G. Mário de Almeida Alcântara;
Em 1976, Marcelo Cirino ingressou para ser "Lobinho" um estágio antes de ser "Escoteiro";

De 1977 até 1978 , Marcelo Cirino se tornou um Escoteiro do Mar e praticava todos os ensinamentos na Escola Naval na Ponta da Praia, em Santos;

Praticou capoeira, com o mestre João e contra-mestres Eraldo e Beto, de 1980 a 1981. Foi batizado como o “Cruz”;
Mudou-se para o Conjunto Habitacional Dale Coutinho, no Bairro do Jardim Castelo/Zona Noroeste-Santos, em 1982;

Concluiu o 2º Grau, na E.E.P.S.G. Zulmira Campos. A partir desse ano começou a se envolver no mundo da dança, ingressando no Grupo de Funk, chamado “Black Time”, liderado pelo Jorge Paixão;
Ao mudar-se para o Dale Coutinho em 1982, foi convidado por Serafim Nóvoa (funcionário público) para ingressar no CAMPS, uma firma que contrata adolescentes para trabalhar em empresas e escritórios. Como Serafim Nóvoa, Marcelo passou a trabalhar  no Gabinete do Prefeito em exercício, Paulo Gomes Barbosa. Ele não precisou fazer curso no CAMPS, entrou diretamente para a função de Contínuo, exercida no Gabinete do  Prefeito de Santos;

Em 1983, ao sair para fazer uns trabalhos externos, viu uns amigos dançando na Praça Mauá e não resistiu...  entrou na roda pra dançar, sem saber que estava sendo visto pelo Sr. Milton Nascimento (Mestre de Cerimônias do Gabinete). Este fez uma solicitação ao Prefeito pedindo a demissão de Marcelo, mas o Prefeito disse que o fato ocorrido não era motivo para a demissão e acrescentou que era ele quem tomava as decisões.
Marcelo trabalhou durante 4 anos no Gabinete da Prefeitura, inclusive na gestão do prefeito seguinte, Dr. Oswaldo Justo, até completar 18 anos; idade pela qual o CAMPS é obrigado a dispensar o patrulheiro para o alistamento militar;

Marcelo Cirino fundou o seu próprio Grupo “The Blackson”, que se apresentava com dublagens de Michael Jackson , Funk Dance e Breakdance;

Em 1984, com a "febre" chamada "Breakdance" o grupo ganhou um concurso de Break no Clube Atlético Santista. Como prêmio, receberam bolsas de estudos para praticar Jazz na Academia de Ballet Valderez,  mas o único interessado em aprender foi Marcelo Cirino que praticou a modalidade entre  1984 e 1987;


Para que sua bolsa de Jazz pudesse ser renovada a cada ano; Marcelo foi aconselhado a fazer também Ballet Clássico, completando o primeiro ano inteiro;

Em 1985, Marcelo Cirino dublou Michael Jackson e foi para a TV competir nos concursos que haviam na época, disputando até com a famosa Maica Jecka (uma gatora que dublava o Michael);

Marcelo Cirino fundou o “Gang de Rua” para competir no Programa Barros de Alencar num concurso de Break no qual os campeões  eram "Os Cobras";
O “Gang de Rua” não tinha líder. Era formado pelos quatro melhores do Break: Marcelo Cirino, que era chamado de "Minhoca" pelo jeito mole de dançar;  Tijolo (que trabalha atualmente numa firma de advocacia); Daniel (primeiro a fazer moinho de vento na Baixada Santista) e hoje é o famoso Rapper  "Criminal D" e Jorge Paixão (irmão de Daniel) que acompanha seu irmão como Rapper até hoje;

O inesquecível concurso de Break do Programa Barros de Alencar na TV Record que apresentou os grandes Rappers como “Os Cobras” e as “Buffalo Girls” tendo a grande final entre os “Dragon’s Breaker’s”  e  “Gang de Rua”. Foi nesse programa que  tudo começou...

Depois de alguns meses Marcelo Cirino saiu do “Gang de Rua”, o grupo continuou sem ele, mas depois de algum tempo, foi perdendo força e se desfez;
Já prestes a sair do CAMPS para se alistar na Aeronáutica, Marcelo desistiu da idéia depois de comparecer à Base Aérea e conversar com alguns soldados descontentes com o regime militar; 
Marcelo Cirino foi convidado a ingressar no Grupo da Valderez, e, em 1986, competiu em Joinville pela primeira vez com o Grupo, ficando em segundo lugar com a coreografia: “Thundercats”, de Alvaro Vitório;
Sr. José Lascane (hoje vereador), era um funcionário que trabalhava na Secretaria de Cultura e estava sempre em reuniões no Gabinete do Prefeito. Ao tomar conhecimento que Marcelo ficaria desempregado ao sair do CAMPS, o convidou para trabalhar na função de contínuo registrado pela Prefeitura, na Secretaria de Cultura de Santos. Marcelo começou a trabalhar no dia 16 de janeiro de 1986, depois foi promovido a Auxiliar de Escritório, Ajudante Administrativo e enfim para Agente Cultural (cargo atualmente exercido);

No horário de almoço ensaiava sozinho no palco do Teatro Municipal, mas com o tempo já não estava conseguindo conciliar sua profissão no escritório com a dança, logo se desentendendo com sua chefe que o transferiu de seção;
Em 1987, deixou a Academia Valderez para voltar aos estudos e fazer o Curso Superior de Educação Física;
De 1988 a 1990, Marcelo fez Ballet Clássico na Escola de Bailado Municipal, dançou um 'solo' de contemporâneo assinado pelo Coordenador da Escola, o renomado Professor Russo RUSLAN, residente em Santo André/SP.
Foram 4 anos de Jazz e 4 anos de Ballet Clássico, mas sempre praticando Break, em casa, nos bailes do E.C. Beira Mar, nas praças e nos mais diversos lugares;
Em 1988, começou a lecionar "Jazz Dance",  ''Jazz Americano" e  "Jazz Insólito", sempre com características de "Black Music", por isso estes nomes criados por ele;
Foi na Sociedade de Melhoramentos do Dale Coutinho (a sedinha) que ele começou a lecionar Jazz aos sábados, em frente ao seu apartamento com seu próprio som, no chão de concreto empoeirado. Somente depois de um ano fizeram uma reforma e colocaram piso de granito;

Chegou a ter quase 800 alunos numa tarde de sábado divididos em vários horários do período da tarde;

Gravou seu primeiro disco de Rap, um "single" com a cantora Luna de São Paulo. Seu pseudônimo era MC MATTAR. Quem batizou Marcelo com esse nome foi o Marcello Simões, um DJ de excelência que fazia parte de uma dupla famosa na época: “Dinamic Duo” que também produziu o Rap juntamente com Alexandre e Beto (Kid). O  Rap chamava-se “Don’t Now” (uma versão da música de Tim Maia) e  tocou muito em São Paulo;

Em 1989, mesmo lecionando Jazz, gravou o 2º disco de Rap, "SOS Brasi" para uma coletânea em Sampa;
Em 1990, foi convidado para sair do escritório e atuar como Monitor de Dança no Projeto Carlitos, com Coordenação de Miriam Vieira, oferecendo assistência aos monitores de teatro. Ficou apenas um ano, e logo idealizou o seu próprio curso na Secretaria de Cultura de Santos.

Gravou o 3º Rap, chamado: Mattar Matou. As músicas tocavam nas Rádios especializadas em Rap e nos bailes em São Paulo, mas ninguém conheceu o MC MATTAR. Não fazia Shows como os outros Rappers da época como Thaíde e Dj Hum, Pepeu, ND, Naldinho, MC Jack, Os metralhas, Racionais e outros. Ele apenas gravava e não aparecia. Chegou a ser chamado de MC Fantasma.
Em 1991, gravou mais um Rap chamado “Situação Rap” juntamente com  Rodney (o Bira do Grupo),  André Luiz,  Faísca e Fumaça;
Sem aparecer em São Paulo, Marcelo Cirino gravou quatro Raps e ninguém conheceu o MC MATTAR. Só ouviram seus Raps que são lembrados até hoje;

Parou de lecionar Jazz, e criou um método de ensino único, unindo o Break e tudo aquilo que aprendeu na academia de Jazz e Ballet Clássico, seria "Jazz de Rua", mas após ver um dançarino de rua (deficiente) chamado Giba chorar ao perder uma competição de dança envolvendo outras modalidades dizer: “Marcelo, foi injusto, nós deveríamos ganhar. Não adianta, a Dança de Rua nunca vai ter seu valor !!!” Após esse desabafo, Marcelo saiu determinado e resolveu colocar o nome de seu curso de "Dança de Rua";

Começou o curso com o aval da Secretaria de Cultura de Santos, com 50 alunos. Muitas pessoas não sabiam o que era realmente essa tal de "Dança de Rua". Cirino fundou então o "Dança de Rua de Santos" com os melhores alunos do curso. O grupo era misto e amador. No ano seguinte, foram 300 inscritos e no próximo 1.000 e daí não parou mais até os dias atuais. O Curso virou Projeto, e para alguns uma forma de religião, com filosofia de trabalho que servia também como filosofia de vida para muitos que ali passaram pela Escola de Marcelo Cirino;
Na década de 90, Cirino gravou mais um disco, que seria o quinto e último, mas desta vez um CD, e o estilo era o Funk Melody (Miami). 

Fez Educação Física e trancou a matrícula no penúltimo ano. Seu grupo continuou crescendo e de Dança de Rua de Santos se tornou DANÇA DE RUA DO BRASIL!

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